Tenho um amigo que é professor. E aposto que ele gostaria que um aluno dele escrevesse algo com este potencial literário. Seria sinal que ele estaria a cumprir a sua função e, ao mesmo tempo, a realizar-se. Sim, porque esta é mais uma das composições infantis que grassam no nosso Portugal e que chegam ao maravilhoso mundo da Web.
Ladies and Gentlemen:
AS RÃS
Eu gosto muito de rãs. As rãs arrotam a noite toda. As rãs são mais pequenas que as vacas e mais grandes que um pintelho. As rãs não têm pintelhos. As rãs põem ovos pela cona que depois dão râzinhas pequenas. Se as rãs tivessem pintelhos na cona arranhavam os ovinhos que são muito pequenininhos e as rãzinhas que estão lá dentro iam morrer porque entrava água pelas arranhadelas e elas morriam afogadas e porque quando são pequenas não têm patas e não sabem nadar. Eu também ainda não tenho pintelhos mas já sei nadar. Também ainda não tenho cona mas um dia vou ter muitas. As rãs são as mulheres dos sapos. Os sapos não têm unhas por isso não podem coçar os colhões. É por isso que eles andam com as pernas abertas a arrastar os colhões que é para os coçar. E quando se picam nos colhões os sapos dão saltos. As rãs também dão muitos saltos, por isso têm a cona sempre aos saltos. Eu gosto muito de rãs. E gosto muito de sapos.
Lembrei-me agora de um paralelismo macabro, meus senhores e minhas senhoras.
Corria o ano de 1928 quando António Oliveira Salazar aceitou (após 2 anos de insistência do desorganizado governo militar do golpe de Estado de 1926) tomar a pasta das finanças e no, que a área diz respeito, fez um exemplar trabalho. Claro que a partir de 1933, passando para Presidente do Conselho de Ministros deu no que deu.
Presentemente, a nossa bem-querida ("moooorrre, puuuuta, moooorrre" gritam as massas a Maria Madalena) Manuelita Ferreira Leite também está na pasta das finanças.
Ambos exigiram absoluto controlo financeiro dos gastos governamentais, independentemente do ministério em causa. Ambos começaram na ditadura da carteira.
É pena é que shô Dona Manuela não faça o trabalho exemplar de Salazar na economia. Ah, e que, obviamente, não nos meta a todos em ditadura que uma já chegou para marcar as gentes deste país à beira mar plantado.
A conclusão a que chego é que nem copiando os métodos se chega lá. A um cábula, não lhe chega ser cábula... Tem de saber copiar...
Aparentemente, é verdade (se quisermos tomar por verdades tudo o que os media nos contam): o sr. Hussein foi capturado. E que momento glorioso foi para as televisões norte-americanas (cuja intensidade se vai dissipando à medida que o acontecimento se vai afastando do centro nevrálgico da informação tendenciosa que são os EUA)...
Numa operação-relâmpago, um septagenário muito semelhante ao Pai Natal sem maquilhagem foi encontrado numa área residencial de Tikrit, cidade-berço desta ex-Bissectriz do Eixo do Mal. Convém, no entanto, recordar que a operação relâmpago durou 8 meses (?!?) e que a outra operação relâmpago (a original, do irmão gémeo nos pêlos faciais de Saddam) ainda dura (já lá vão dois anos e...)
Arundhati Roy, escritora indiana do tão aclamado "Deus das Pequenas Coisas" escreveu há uns meses um ensaio político-artístico intitulado "The algebra of infinite justice" em que apontava o dedo à política norte-americana. Nunca é demais relembrar o 11 de Setembro, não só pelas suas consequências, mas (e este deveria ser o ponto fulcral) pelas suas causas. Aparentemente, todos se esqueceram disto. Morreram aproximadamente 7000 pessoas nos atentados de 11/9, mas eu aprendi na MTV que "Violence comes back to you". E, como Madaleine Albright tanto enfatizou em 96, as 500000 crianças iraquianas que morreram à fome pelos embargos norte-americanos foram danos colaterais.
Há algo de errado em quem dirige aquele país. Não se entenda que o ódio originário do Médio Oriente é contra os americanos, mas sim contra aqueles que, pelo seu poder de voto, os dirigem numa política de domínio mundial.
Hoje congratulei-me pela captura de Saddam. Governou um país em ditadura, usando e abusando do poder. Não será necessário enumerar as consequências disso. Só fiquei triste que a captura de um genocida, de um ditador, de um símbolo do mal que o ser humano é capaz de fazer, tenha sido anunciado por um outro genocida, de barba feita e fato de alta-costura, é certo, mas ainda assim genocida.
Caiu um. Que caiam todos os outros que governam em ditadura porque anulam o mais essencial direito de todo o ser humano: a liberdade de ser. Que caiam todos que governam para o seu umbigo, porque se esquecem do mais importante dever de um ser humano: respeitar a vida.
Caiu Saddam.
Caia também George W. Bush.
Não sou um homem religioso. Nunca o fui. Inserido (automaticamente, acrescente-se) na tradição cristã católica apostólica romana, sempre me fez confusão a negatividade nas celebrações. Como é que alguém pode falar de libertação, de felicidade, de alegria num ambiente tão soturno e surumbático das igrejas católicas (portuguesas, pela minha experiência específica) ? Sinceramente, são poucas as diferenças que vislumbro entre um funeral e uma missa no entusiasmo empregue (nenhum, ou quase...).
No entanto, nunca fui muito virado para o ateísmo. Marx chamava-lhe o ópio do povo, então perdoe-me o pensador mas o povo precisa de se alienar. Não por ser mais fácil, mas porque nem toda a existência se pode resumir a 2+2. E se pode, perde todo o seu encanto. Uma coisa é sentirmo-nos alguém para fazer alguma coisa neste mundo, outra é sermos reduzidos a um acaso de partículas biológicas, desprovidas de um objectivo.
O meu lado é o do agnosticismo. Acredito em Deus, em Algo. Mas acho que as religiões foram a pior invenção do Homem. Cada coisa em seu lugar, cada um com a sua interpretação. Esse é o meu ponto de vista.
A minha fé é entre mim e o meu Deus.
P.S.: não critico a fé de ninguém, seja ela qual fôr... que elas sejam respeitadas para ser a minha também... mas não posso passar indiferente às instituições do homem que fabricam essa fé e a vendem... isso já abusar de algo que nos é intrínseco... e, pior ainda, é quando não compreendem este ponto de vista e se recusam a discutir por acharem que queremos assassinar Deus... longe disso...
Dizem que a juventude está perdida. Dizem que nada os salvará. Dizem que perderam a noção. Dizem que não sabem onde está o norte. Dizem que não têm pelo que lutar. Dizem que são parasitas. Dizem que são rascas. Dizem que são vazios. Dizem que são esbajadores. Dizem que não dão valor ao suor do trabalho. Dizem que só querem borga. Dizem que perderam o respeito. Dizem que são presunçosos. Dizem que não sabem reconhecer o erro. Dizem que não sabem o que é autoridade. Dizem que são incultos. Dizem que são vazios. Dizem que não têm valores. Dizem que não têm causas. Dizem que não têm opiniões. Dizem que a geração do futuro vai deitar o futuro a perder.
É caso para dizer: obrigado papá e mamã, fizeram um bom trabalho.
P.S.: é pena que a geração da revolução, aquela que lutou pela liberdade, que tentou cortar com o passado, se tenha tornado tão conservadora em relação ao seu mundo de marionetes... não sabemos muita coisa, mas estamos a aprender...
Que o diga o SexFiend, caro companheiro académico dos anos de secundário, que, na Latada de Coimbra 2003, se viu envolvido em imbróglio tal digno de post (e de um filme de Manoel de Oliveira, acrescente-se... tudo muito em slow motion).
Ora parece que no fim de semana que antecedeu o Cortejo da Latada, o caríssimo SexFiend decidiu deslocar-se à terra do conhecimento para, com alguns amigos, disfrutar do bom ambiente que se vive no centro do país por estas alturas. Como o frio era muito, viram-se praticamente obrigados a emborcar quantidades significativas de álcool para evitar uma hipotermia (tãããão Titanic...). Mas como o etanol lhes fazia aumentar o ritmo cardíaco de uma forma muito pouco aconselhada, logo cobriam este devaneio alimentar com uma boa dose de TetraHydroCannabinol (THC... ganza, chamon, aznag, porros, charros, etc...). Isto era feito, obviamente, pelo bem estar corporal numa noite tão fria como conseguem ser as da capital dos estudantes.
Aparentemente, umas largas horas após o início da noite (aliás, quase que adivinho que a noite já tinha dado lugar ao dia), deslocam-se todos (eram três, devo acrescentar) para a casa da irmã de um deles, amigo também de longa data do dito cujo SexFiend, cuja fratre é médica de respeito num hospital perto de si.
Ora, na mesma habitação da Srª Doutora vivem outras duas belas senhoritas, quais damas das camélias dignas de serem retratadas por Gaugin. A parte imediata que se segue é completamente inventada, mas eu gosto de imaginar que as coisas aconteceram assim. Tem mais quelque chose que, em caso de adaptação cinematográfica, ficará 5 estrelas. Onde é que eu ia mesmo? Ah, sim. Entraram em casa e lá estavam as 2 madames, quase que adivinhando que, pela porta, iriam entrar 3 belos exemplares do northern stalion, esse espécime masculino tão ostracizado pela sociedade de consumo. Continuando. Vendo quão quentes pareciam os 3 amigos, logo calcularam: "Meu Deus, eles são uns génios! Como é que eles se foram lembrar de uma mistura de álcool e THC para manter a temperatura do corpo a um nível aceitável neste frio gélido?". E por isso, as duas senhoritas afiambram-se logo de dois dos três exemplares, ficando o irmão da senhora doutora limitado a fazer o amor consigo próprio (ele também tem um coração fraco, o rapazola...).
Voltemos à realidade e aos factos.
Assim, um deles (que desconheço o nome e por isso foi chamar-lhe Asdrubalino Hermengardof [origem alemã]) vai ocupar uma divisão da casa com uma das belas senhoras enquanto a nossa personagem principal se desloca, pé sobre pé, atrás da outra menina (não, não lhe estava a galar o cú... estava apenas a ser cavalheiro... e a galar-lhe o cú...). Pormenores à frente (que é como quem diz preliminares), os movimentos repetitivos da arte do acasalamento humano provocaram uma reacção rara nestas situações. E antes que nessas mentes perversas ocorra algo do género ejaculatio praecoxis, tirem o cavalinho da chuva porque a nossa personagem está no (suposto) auge da sua vida sexual (não resisto a comentar que, para nós, homens, é triste atingir o auge pouco depois de começarmos a ter uma vida sexual... quando aprendemos alguma coisa de jeito, já nos fraquejam as forças para aplicar conhecimentos).
Ele regurgitou. Isso mesmo, fez uma oração ao Santo Gregório, foi assaltado por uma tsunami de refluxo gástrico. Em suma: VOMITOU! Particularidades sobre o acerto do jacto oral, não as vou fazer até porque podem deduzir um pouco mais à frente. E como quem dá um, dá duas, eis que ele vomita de novo. E como não há duas sem três, toma lá outra vez. Depois de três vómitos consecutivos, não havia grande coisa para mandar cá para fora.
Admiro, porém, esta parte, que revela um desportivismo de louvar por um supra-sumo da inteligência que foi vítima do seu próprio avanço no tempo. A menina em questão, num gesto de boa vontade, colocou os lençóis para lavar, substituindo-os por outros, mais frescos, fofos e suaves (ele calcula que tenha sido o próprio atrito do corpo contra a flanela que fez exalar um determinado reagente químico que levou a tão embaraçosa situação).
E nisto, apagam-se os últimos 10 minutos e volta-se ao início, agora sem sobressaltos.
Conclusão: talvez se aprenda alguma coisa daqui (se bem que ainda não entendi o que será), mas evidentemente que o SexFiend é muito pouco SexFriendly